O amor morre entre nós. E quanto mais a chuva cai e o frio aperta, mais os meus ossos congelam e a minha espinha paralisa Porque agora estou sozinha. Tu deixaste-me por aqui, de palavras trancadas e de sorriso escondido. Tal poder tens tu em mim. Que me acalentas a alma, apoderando-te do que nunca mais quiseste só para ti. O que tu te tens esquecido é que eu não me esqueço de amar. É assim que tens vivido, na ilusão que eu me esqueço, que eu fecho os olhos e não vejo por onde passas. Mas eu sigo-te as pegadas todos os dias. Contra vontade de um espelho que reflecte a minha imagem. Um espelho que não me quer ver a mergulhar no vazio de um caminho sinistro. Só que eu faço sempre tudo ao contrário. Eu protejo-te. Agarro-te sem sentires e acredito nas frases feitas de momento e no coração de pedra, que eu penso que não tens. Caiu vezes sem conta, levanto-me e continuo a entregar-me a ti. O amor morre entre nós. Vai morrendo aos poucos, porque já nem uma chávena de café antes de ir para a cama, nem um cigarro a seguir à refeição me faz querer-te mais. Já não suporto o prazer de te sentir, de desejar alguém assim. Quero meter para trás toda esta nostalgia, trazendo para a frente segurança do que me está reservado. Mas eu não te quero ouvir à noite, não te quero seguir, nem te quero perceber. Porque tu enganas-me. Tu enganas o tempo. Vives para ti. Ou talvez nunca me tenhas envolvido nesse teu amor cego.
28.10.12
18.10.12
Quero
tirar-te desse sufoco desmedido. Pego-te no braço e trago-te comigo, como quem
não sabe o caminho de regresso a casa e pede ajuda - assim estás tu, quando te
encontrei -. Estavas tão sozinha. Oca. Diamante por lapidar. E eu quis cuidar
de ti. Mesmo que não gostes das pessoas, gosta de mim. Vem comigo e abraça-me.
Quero ser o teu braço direito em tudo. Quero que precises de mim, que corras à
minha procura pela casa sempre que não me encontras, e eu quero-me esconder de
ti atrás da tua porta do quarto e sorrir-te sempre que me encontrares. Mas
ali...naquela negrura sem fim, num mundo rodeado de dissimulação, de almas
penadas que se juntam para te despedaçar o bom humor. Ali, estavas a tremer.
Não sei se de medo, se de frio. Talvez pelas duas coisas. Então agarro-te,
porque o que mais me deu vontade de te fazer foi apertar-te com força e
apontar-te o céu e dizer-te que o meu és tu. Queria salvar-te a pele. Salvar-te
a alma que é cheia. É uma das coisas que mais gosto em ti. Queria salvar-te.
Porque me estavas a pedir, sem palavras. Olhavas para mim de uma forma abatida
e eu só te queria transportar dali. Trouxe-te para casa. Para o quente da minha
rotina, que no fundo sempre quis que tu fizesses parte dela a tempo inteiro.
Queria olhar-te todos os dias e relaxar de noite por saber que estavas comigo.
E o meu coração não saiu de dentro de mim porque não pode, porque ele está
feliz. Só por te ter aqui. És
dona de uma grande parte do que me preenche.
17.10.12
Eu sei que vais ficar a ver-me da janela. De pé ante pé vou saindo, deixando rasto e calando todas as tuas acusações súbitas de um amor doentio. Aquele que tu dizes ter por mim. Calo-te as palavras e vou calando também o teu choro, que eu sinto que só quer sair-te pelos olhos e pingar-me aos pés. Em forma de socorro absoluto. Só que tu já não sabes mostrar-me o céu e eu já não sei mostrar-te as estrelas. E duas partes não têm apenas que se amar mutuamente, terão que se completar em defeitos e qualidades. Moldarem o físico ao psicológico e andarem de mãos dadas. Não para que todo o mundo esteja a assistir, mas para que existam razões para estarem juntos. Sem ser apenas o amor que sentem. E o nosso grande problema é mesmo esse. Deixámos-nos de completar, e corríamos sempre o risco de não conseguirmos mais esperar algo de ambas as partes. Mas eu não quero esticar mais a corda, tal como nós, ela tem limites. Por isso decidi sair. Desejar-te boa sorte e fechar a porta. Ou melhor as duas portas. A porta de tua casa e principalmente a porta que se abriu no meu coração só para ti.
Admito que me irá incomodar todos os dias não ter um sorriso de bom dia, uma mensagem deliciosa, um pequeno almoço na cama, ou até um beijo quente no Inverno. Mas tanto eu como tu sabemos que tudo isto já fazia parte de um passado risonho e que não conseguimos trazer para o presente.
Tanto eu como tu já não sabíamos viver. Mas acredita que esperei, esperei horas, dias e até minutos que me trouxesses numa bandeja o passado. Aquele que fazia um nós completo.
Só que a sorte não é para todos, e eu nunca tive qualquer tipo de sorte nessas coisas. Sabes? Eu contigo acreditava em tudo. Até no amor. Sabia defini-lo. E eu não era assim. Vazia. Sem forças e a deixar-me levar pela chuva que ainda agora começou. Só queria continuar este caminho tão longo e doloroso, em que o vento me acolhe todas as noites e os meus pés esfriam por não te ter por lá. Só queria sorrir de manhã até à noite. Sem ti. Continuas então a olhar-me pela janela, mesmo sem sentires o meu cheiro e de eu já me encontrar em minha casa.
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